Das perguntas de um pintor às respostas de um professor

Num destes dias conhecemos um pintor que me bombardeou de questões mal soube que eu era psicóloga. Estava com a Teresa ao colo, com uma fralda gigantesca de xixi, a refilar com tudo e com todos, mas o tal pintor não se incomodou e num americano serrado pediu-me fórmulas milagrosas para educar os seus 4 filhos... Uma das coisas que mais o preocupava era saber o que dizer às crianças depois de presenciarem cenas traumatizantes na internet. De sorriso na cara, e sem sequer procurar ter mais informação como idades e afins, fugi à resposta explicando que o uso da internet tem que ser controlado pelos pais e que de preferência os pais devem estar sempre por perto para evitar esse tipo de visualizações. Como a Teresa não parava quieta ao meu colo, tive que ir embora. Hoje encontrei um artigo do Daniel Sampaio e nem de propósito lembrei-me deste episódio. 

Diz então o Professor
"(...) É provável que o uso excessivo de televisão, computadores em todas as suas versões e telemóveis em uso permanente estejam a condicionar diferentes hábitos de vida em família. (...) Brincar, para um adolescente dos nossos dias, é ser hábil na PlayStation ou rápido a “sacar cenas da Net”. Para um jovem, não faz sentido ficar sentado a ler um livro ou uma notícia de jornal, mesmo que seja sobre um tema do seu interesse.
Que fazer, é a pergunta de alguns pais e educadores? Sem dúvida não fazer mais do mesmo. Sessões nas escolas a criticar quem não lê e a vender livros a preços pouco acessíveis não levarão a nada. O caminho tem de ser percorrido, em conjunto, por pais e professores. A começar pela conversa em casa, com ecrãs fechados, sobre os mais diversos temas e em todos os momentos. E a continuar na escola: treino de exposição oral sob qualquer pretexto, seguida de escrita corrigida sobre o mesmo tema.
O cérebro infantil e adolescente precisa de tempo para metabolizar tantos factos disponíveis na Internet (o que é uma conquista dos tempos modernos). A leitura e a escrita própria garantem a pausa necessária para continuar a processar informação que se possa transformar em conhecimento. A não ser assim, teremos no futuro jovens conectados a todo o instante, mas com dificuldade em parar para pensar."     

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